Acabo de assitir. Die Welle - "A onda" na tradução para o português - é um dos bons filmes de que vou lembrar daqui pra frente. Não vou dizer que trata-se de "um dos melhores filmes da temporada" (da minha temporada!) porque, segundo minha amiga e crítica Luciana Barcellos, pode parecer pedante. Afinal de contas, não tenho bagagem suficiente para a função de crítico. Atrevido que sou, peço licença à Luciana e aos outros com pensamentos semelhantes, pra fazer um breve comentário sobre a onda que acaba de passar sobre minha cabeça. Como mostrar a um bando de adolescentes desinteressados e sem nenhuma causa brilhante a defender o tamanho e o peso de uma ditadura ? Na Alemanha, o assunto é tratado com muito cuidado. Mas adolescente é adolescente em qualquer lugar do mundo. E lá o nacional-socialismo é daqueles "assuntos chatos" sobre o qual pais e professores insistem em falar de vez em quando.
O filme é bem sucedido não só na difícil arte de incomodar, mas também na às vezes incômoda tarefa de guiar quem aprende a tirar suas próprias conclusões. Na minha rápida experiência em sala de aula, percebi o quanto é ingrata essa tarefa.
Ditadura parece uma realidade longínqua pra nós brasileiros. A minha geração não viu. A que está aí então frequentado faculdades e escolas tem ainda menos noção da realidade que muitos dos nossos pais e avós viveram. Alguns sentem até saudade de tempos em que não se opinava tanto e se obedecia mais. "Tempos de ordem", diriam alguns loucos saudosistas. "A ordem" não está apenas em livros. Passeia pela América do Sul, pela Central, pinta suas cores pelo globo em pequenos e grandes países. Tem sim que ser debatida. "Die Welle" é um excelente instrumento pra isso. "A onda" não inspira apenas a discussão sobre sistemas políticos, mas sobre o nosso próprio sistema, o que coordena a consciência de cada um de nós.









