30 Novembro 2009

DIE WELLE

Acabo de assitir. Die Welle - "A onda" na tradução para o português - é um dos bons filmes de que vou lembrar daqui pra frente. Não vou dizer que trata-se de "um dos melhores filmes da temporada" (da minha temporada!) porque, segundo minha amiga e crítica Luciana Barcellos, pode parecer pedante. Afinal de contas, não tenho bagagem suficiente para a função de crítico. Atrevido que sou, peço licença à Luciana e aos outros com pensamentos semelhantes, pra fazer um breve comentário sobre a onda que acaba de passar sobre minha cabeça.
Como mostrar a um bando de adolescentes desinteressados e sem nenhuma causa brilhante a defender o tamanho e o peso de uma ditadura ? Na Alemanha, o assunto é tratado com muito cuidado. Mas adolescente é adolescente em qualquer lugar do mundo. E lá o nacional-socialismo é daqueles "assuntos chatos" sobre o qual pais e professores insistem em falar de vez em quando.
O filme é bem sucedido não só na difícil arte de incomodar, mas também na às vezes incômoda tarefa de guiar quem aprende a tirar suas próprias conclusões. Na minha rápida experiência em sala de aula, percebi o quanto é ingrata essa tarefa.
Ditadura parece uma realidade longínqua pra nós brasileiros. A minha geração não viu. A que está aí então frequentado faculdades e escolas tem ainda menos noção da realidade que muitos dos nossos pais e avós viveram. Alguns sentem até saudade de tempos em que não se opinava tanto e se obedecia mais. "Tempos de ordem", diriam alguns loucos saudosistas. "A ordem" não está apenas em livros. Passeia pela América do Sul, pela Central, pinta suas cores pelo globo em pequenos e grandes países. Tem sim que ser debatida. "Die Welle" é um excelente instrumento pra isso. "A onda" não inspira apenas a discussão sobre sistemas políticos, mas sobre o nosso próprio sistema, o que coordena a consciência de cada um de nós.



QUANDO A TRISTEZA NOS ENVERGONHA

Poucos textos relatam com tamanha fidelidade o frio na barriga que sinto toda vez que estou em determinadas situações. O colega Fábio Diamante, repórter de mão cheia, mostra um lado pouco policial e muito sensível no texto que publicou no seu blog. "Quando o repórter reza pra não dar certo" é um dedo numa ferida que está aberta desde quando me entendo por jornalista e reproduz o conflito entre a necessidade e a vontade. Com a licença do amigo Diamante, seguem aí as palavras que ele juntou pra falar um pouco do seu sofrimento:

"No último dia 18, um consultor de 30 anos jogou o filho de dois anos do alto de um prédio e, em seguida, pulou. Aconteceu em São Paulo. Foram dois dias de cobertura. E daquele jeito... A ordem na maior parte das redações foi quase única:

- "Temos que descobrir tudo sobre a vida desse casal!"
Escapei do primeiro dia, mas não do segundo. Fiquei com os enterros e o desfecho do caso. De manhã, uma equipe fez imagens do velório do pequeno Pedro, em São Paulo. Lá, ninguém falou com a imprensa.
À tarde, fui para o enterro do pai, Cassio, em São Caetano do Sul, Grande São Paulo. Pedi para que cinegrafista, assistente e motorista ficassem do lado de fora. Entrei sozinho e rezando. Primeiro, para que o enterro já tivesse acabado. Mas ele estava no começo. O corpo saía da capela naquele instante. Muitas pessoas em volta, uma tristeza avassaladora. Impossível imaginar a dor dos pais de Cássio. Continuei rezando pra que alguém me proibisse de chegar mais perto. Vi dois guardas civis da cidade no meu caminho e pensei:
- "Graças a Deus! De lá eu não passo". Também não deu certo. Não só passei como um dos guardas me fez um sinal e disse baixinho sem que eu perguntasse nada:
- "É esse mesmo...".
Já meio sem esperanças, continuei rezando. Por uma chuva forte, um raio, uma queda de árvore na minha frente, qualquer coisa... Foi quando um senhor que seguia o cortejo a pé olhou pra trás e me viu. Ele deu meia volta, chegou perto, me deu a mão e disse:
- "Boa tarde. Você pode me fazer uma favor?" Respondi:
- "Claro!" E pensei: "O senhor é quem vai me fazer um favor."
- "Você pode respeitar nossa dor?"
Respondi quase que num suspiro:
- "Claro que sim. Até logo e boa sorte."
Saí do cemitério com aquele frio na barriga, um tremor na perna e um baita alívio. O passo seguinte foi ligar pra redação e dizer que ninguém da família de Cassio iria falar. Ainda bem. A missão do jornalismo é tornar público fatos relevantes. A declaração de um familiar de Cassio é considerada por alguns uma informação importante. Pra mim, é apenas exploração da dor em busca de audiência. Fico muito feliz que não tenha "dado certo".

28 Novembro 2009

HONDURAS E NÓS

Eleições amanhã e incertezas ainda por muito tempo. O povo hondurenho vai às urnas neste domingo sem a menor garantia de que o pleito vai normalizar a situação política do país. De um lado, Brasil, Argentina, Venezuela, Bolívia. De outro, Estados Unidos e os governos à direita de Caracas, como Colômbia e Peru. Os primeiros não reconhecem a eleição. Os segundos acham que a escolha será legítima.
O argumento do Brasil e de quem faz parte deste grupo é de que não é possível reconhecer um processo comandado por um governo golpísta, que não reconduziu o presidente legitimamente eleito e retirado do cargo por um golpe de Estado.
O argumento dos outros é que se deve pensar pra frente, sem olhar pra trás e tentar estabilizar aquele que, ao lado de Haiti e Bolívia, é um dos países mais pobres das Américas.
Zelaya, o presidente deposto, continua na Embaixada do Brasil na capital Tegucigalpa. Está lá há mais de dois meses, sem que os líderes mundiais reconheçam de forma unânime que no episódio que o tirou do poder ele é vítima de uma arquitetura política bem típica da América Central.
Os hondurenhos vão votar. O presidente eleito deve assumir. E Honduras vai seguir seu caminho, como sugerem os Estados Unidos. O que os norte-americanos não levam tanto em consideração é que o passado não é tão fácil assim de se desprezar. No caso hondurenho, é uma ferida aberta, prestes a se tornar algo ainda mais grave. Centro médico-político do planeta, a Casa Branca de Obama pode ter conseguido vencer uma batalha na guerra fria contra Chavez. Foi só isso. O povo daquele país, lamentavelmente, ainda vê suas instituições sangrarem. Trata-se de um processo doloroso e invisível para os norte-americanos. Honduras é só mais um capítulo numa história que vi de perto e cujo fim não ouso nem imaginar.


27 Novembro 2009

ONDE ESTÁ O ESTADO ?

O juiz de Piedade, Cássio Mahuad, não permitiu que o rapaz internado numa clínica da cidade, no interior de São Paulo, deixasse a clínica, onde está internado há 77 dias. Os argumentos não são conhecidos porque o processo está em segredo de justiça. O caso repercutiu muito nesta semana. 21 anos, usuário declarado de maconha, ele diz ter sido surpreendido em casa, em Belo Horizonte, por três homens que o sedaram e o levaram à força para a tal clínica. Tudo foi feito com a autorização da mãe dele.
O companheiro do rapaz diz que a internação só aconteceu quando a mãe descobriu que o rapaz era homossexual.
Homofobia familiar à parte, há uma discussão muito importante por trás disso tudo. Quais são os critérios adotados nestes lugares pra internar alguém contra a própria vontade ? No caso de Piedade, a representante do Conselho Federal de Psicologia e um psiquiatra indicado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República dizem que a internação é um exagero. A clínica - que cobra 4 mil reais por mês - defende o procedimento. Estive lá nesta semana. A convite da direção da clínica, fiz uma rápida visita, mas não pude conversar com nenhum dos internos. Só ouvi a versão dos donos.
Há leis que garantem o acompanhamento das internações em clínicas particulares que tratam de dependentes químicos. O que mais me surpreendeu, porém, foi a falta de conhecimento das autoridades responsáveis sobre o assunto. O diretor de Saúde de Piedade - cargo que equivale ao de secretário - me disse que não sabe nada sobre a forma com os pacientes são tratados. O promotor de Justiça da cidade afirmou que se dá por satisfeito apenas com o fato de ter a relação dos nomes de quem está internado involuntariamente. Acompanhamento, como prevê uma portaria do Ministério da Saúde, ele não faz. A Secretaria de Saúde do estado de São Paulo, que deveria formar uma comissão com médicos independentes pra verificar as internações e a forma de tratamento, sequer sabia dessa sua atribuição. É assustador !
Por trás do muro da ineficiência, há um mundo obscuro e vergonhoso que, em muitos casos, aplica a terapia do terror e do medo pra apenas mascarar o drama de milhares de brasileiros.


25 Novembro 2009

TERAPIA DO TERROR E DO PRECONCEITO

Estou em falta com este espaço que tanto valorizo. É que do lado de cá, a vida anda agitada demais. Hoje, gostaria de escrever sobre um caso estranho, tema de reportagens minhas nos dois últimos dias.
É a história de um rapaz, de 21 anos, que está internado há 75 dias numa clínica para dependentes químicos no interior de São Paulo. Em uma carta, escrita a pedido de representantes de movimentos de direitos humanos que visitaram a tal clínica, ele diz que está lá contra a vontade dele e afirma que a sua internação pode ter sido motivada por preconceito da própria mãe. Tudo aconteceu depois que ele revelou a ela que era homossexual. Além da grave questão do preconceito da própria família, o caso coloca novamente em discussão o papel das clínicas e comunidades terapêuticas que oferecem tratamentos milagrosos para dependentes químicos. A epidemia do crack principalmente tornou este um negócio altamente lucrativo. Ganha-se dinheiro - muito dinheiro - por conta do desespero e da falta de informação dos familiares.Age-se com muita gana e pouca ética, pouca responsabilidade.
O médico da clínica em questão afirmou que defende a internação pra qualquer tipo de dependência, seja ela a drogas, sexo, jogo. Difícil ouvir uma opinião diferente de uma clínica que cobra entre 4 e 5 mil reais por uma internação. Pra quem quiser ver o vídeo, segue aí o link para a matéria reproduzida na TV UOL.

http://tvuol.uol.com.br/#view/id=rapaz-acusa-familia-de-internalo-por-ser-gay-0402346AE4A18366/user=1575mnadmj5c/date=2009-11-25&&list/type=search/q=reportagem%20sbt%20brasil/edFilter=all/ref=home/time=all/



12 Novembro 2009

O IMAGINÁRIO POPULAR AO VIVO NA TV



No imaginário de milhares de brasileiros, repórteres de emissoras concorrentes vivem uma guerra aberta nos bastidores em busca de algo que os dê vantagem na tal batalha pela notícia. No imaginário popular, esta cena ganha dimensões quase hilárias. De estagiários a gente de fora do meio, sempre me perguntam como isso funciona. Aos que esperam respostas "quentes", sinto desapontá-los. Somos bem mais civilizados do que parecemos. Menos, é claro, no momento de "organizar" pequenas entrevistas coletivas. Coisas da profissão... Mas na maioria absoluta dos casos, os concorrentes até se ajudam. E digo isso com o orgulho de quem bota lenha na fogueira da solidariedade. Óbvio: se tenho uma informação exclusiva ou uma imagem espetacular não vou dividir o resultado do meu esforço com os nobres coleguinhas. É aí que, na minha opinião, termina a linha tênue que divide a concorrência leal da desleal.
O que meus colegas me mostraram ontem, assim que cheguei à redação, me causou um incômodo profundo. Era um dos assuntos do dia. Uma repórter da TV Record, pressionada pelo que o apresentador dizia no estúdio, se submeteu a uma cena da qual ela não deve se orgulhar muito. Ela tentou pressionar uma autoridade que estava posicionada para ser entrevistada pela repórter da Globonews a falar com ela primeiro. De fato, foi um "barraco" e muita gente deve ter se divertido com o que viu. O que mais me incomodou foi a pressão que veio dos estúdios pra que aquela pequena batalha tomasse proporções maiores.
Todos nós repórteres sabemos como a coisa funciona. A repórter que pressionou sabia. O apresentador que reclamou também. Não se trata da briga do bem contra o mal. Trata-se apenas de mais um capítulo em que o bom senso e a boa educação mais uma vez ficaram de fora da telinha.
Pra quem quiser conferir e tirar suas próprias conclusões, segue o link abaixo:


05 Novembro 2009

INSPIRAÇÃO

Há muito o que dizer, mas há pouca inspiração.
Na política, o Aécio fazendo super manobras nos bastidores pra mostrar que é mais viável que Serra.
No futebol, Galo, Palmeiras e São Paulo poderão estar rigorosamente empatados em número de pontos depois da próxima rodada do Brasileirão. O Atlético levaria vantagem no número de vitórias.
Em Minas, José Utsch de Lima - meu pai - lança seu quarto livro. Além do que ele escreve, a história que o cerca já vale um belo texto.
No Afeganistão, a coisa só piora.
Em Berlim, o U2 se apresenta no portão de Brandenburgo pra festejar os vinte anos da queda do muro.
Em São Paulo, estudo inédito mostra que as mulheres que engravidam entre junho e agosto têm quase três vezes mais chance de perderem o filho. É mais um dos efeitos da poluição.
Tanta informação e pouca coragem de escrever. Assunto não falta. O problema é a inspiração que insiste em não bater a campainha.

INFÂNCIA ROUBADA

A adoção é um dos assuntos da semana. Entrou em vigor na segunda-feira a nova lei que tem como principal meta a redução da permanência de crianças e adolescentes em abrigos. O prazo máximo é dois anos. E depois ?! O que fazer com essas crianças ?! Perguntam-se centenas de juízes e promtores Brasil afora. Vejo o assunto com a dor e a indignação de quem conversou muito e viu de perto o drama destes pequenos brasileiros condenados por seus pais e pela ineficácia das autoridades do país onde vivem. Eles deveriam ser prioridade. Infelizmente, não são. Seguem aí mais dois links para as duas últimas reportagens da série exibida pelo SBT Brasil. Uma mostra dois destinos diferentes de quem chegou aos 18 anos entre os muros de um abrigo. Outra aborda um problema sério, silencioso e muito traumático pra quem o protagoniza: a devolução de crianças.


http://noticias.uol.com.br/ultnot/multi/2009/10/31/0402336AE0A96366.jhtm?adocao-justica-condena-casal-que-rejeitou-criancas-em-mg-0402336AE0A96366

29 Outubro 2009

INFÂNCIA ROUBADA - DOIS ANOS DEPOIS


Foi com muito orgulho que retomei um assunto sobre o qual o Brasil ainda te muito a saber. Há dois anos, fizemos uma série de reportagens sobre as crianças que viviam em abrigos no país. Mostramos como é difícil que crianças maiores e com irmãos sejam adotadas e como é complicado crescer dentro de um abrigo, por melhor que ele seja. Agora, pouco mais de dois anos depois, fomos visitar os personagens que conhecemos em 2007 e vimos que, além do descaso de suas próprias famílias, eles também são vítimas da burocracia. A primeira e mais importante conclusão é que estes milhares de pequenos brasileiros não são prioridade, nem para a Justiça, nem para os governantes.
Seguem abaixo os links para a primeira e segunda reportagens, exibidas também no site UOL.




26 Outubro 2009

TERAPIA DO TERRROR



O assunto é indigesto. Muita gente prefere mantê-lo debaixo do tapete da hipocrisia. O colega Eduardo Faustini, do Fantástico, também pensa de maneira diferente. Ontem, numa matéria forte e com bons argumentos, mostrou o esquecido e desconhecido mundo das clínicas e comunidades terapêuticas que usam a tortura como método de tratamento. Um dos focos da reportagem foi a mesma clínica que mostramos em "Terapia do Terror", série de reportagens que fiz no SBT Brasil pra denunciar o problema. O sujeito que foi dono da clínica agora tem o papel de "corretor". Ganha dinheiro por cada pessoa que consegue internar. Corretor de dependente químico é o fim da picada !!! 
Na época, em julho, pessoas ligadas à tal clínica fizeram uma campanha amadora e difamatória contra mim, o SBT e principalmente contra os argumentos que usamos. Tentaram desqualificiar as denúncias, desqualificando o sofrimento das pessoas que passaram por lá. Alguns até defenderam o que chamaram de "terapia de choque contra viciados".
Segue abaixo o link da matéria pra quem quiser ver.



Aqui, o link para a matéria do Fantástico. Boa, Faustini !

http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1354427-15605,00-CLINICAS+CLANDESTINAS+MALTRATAM+DEPENDENTES+QUIMICOS.html

21 Outubro 2009

ONDE O CONCRETO DERRUBA CONCEITOS


Alguns dias de descanso depois da cobertura em Honduras e cá estou eu de volta com os problemas da metrópole. Quantos e quão complexos são !
Logo na chegada, estourou a cassação de um grupo de treze vereadores da cidade, acusados de receber dinheiro de uma "entidade" que não lucra, o que é proibido pela lei eleitoral. Os vereadores já recorreram e, como se esperava, já conseguiram suspender a decisão.
Por trás disso tudo, está uma relação suspeitíssima entre as construtoras e quem deveria zelar por uma cidade tão grande e tão cheia de problemas. Elas - as construtoras - fazem quase tudo que querem, sem a menor cerimônia. Uma das personagens desta história é uma socióloga que mora numa casa da década de 40, no bairro da Lapa, um dos mais tradicionais e charmosos de Sampa. Ana resistiu o quanto pôde. No quarteirão onde mora, só sobrou a casa dela. Plantas, móveis antigos e bem conservados e muita história estão espalhados nos dois andares de um sobrado de esquina que faz sucesso há mais de 50 anos naquele pedaço da Lapa.
Tudo vai ser demolido em menos de um ano. A construtora venceu Ana com dinheiro e muita pressão. A casa cheia de detalhes e cores, as plantas, a calçada... tudo vai deixar de existir. É mais um pedacinho de São Paulo que vai se perder no tempo pra dar lugar a um imenso edifício com dezenas de vagas na garagem, piscina, área de lazer (dentro da área do condomínio e devidamente cercada), sauna, quadra. É tanta coisa que os moradores nem precisam mais do bairro.
Na terra do concreto, tudo isso significa "mais trabalho, mais desenvolvimento !"
É que São Paulo precisa crescer, com a bênção e a proteção dos digníssimos vereadores.

03 Outubro 2009

A ULTIMA NOITE EM TEGUCIGALPA


Nada mal ter uma lua dessas pra dizer adeus a um país sobre o qual aprendi tanto nos últimos dias. Em alguns anos, o cerco à embaixada do Brasil deve virar um capitulo em livros de história da América Latina. De um lado, um senhor exótico de chapéu e bigode, acusado de corrupção. Do outro, um presidente que chegou ao poder com um golpe de Estado, tambem com sede de poder. É uma historia que não dá pra distinguir facilmente quem é o mocinho e quem é o bandido. Mas as vítimas são muitas: quase oito milhões de hondurenhos.

A PRIMAVERA DE HONDURAS


Elas eram oito mulheres. Por algum motivo, mobilizaram uma tropa inteira. Rapidamente, foram retiradas de uma área considerada "de segurança" pelo exército hondurenhos.

DIARIO DE HONDURAS


Na sombra da ditadura.

EL FENOMENO COMERCIAL


Pra reforçar os argumentos de uma postagem anterior. Manuel Zelaya, "Mel" para milhões de íntimos hondurenhos, ja é comparado a Che Guevara. Os dois fazem dupla em citações de faixas vermelhas, em capas de CD´s e DVD´s da resistência e no imaginário de alguns desavisados.

DIARIO DE HONDURAS - O espiao


Ele registra todos os detalhes que possam representar alguma chance de informação para o serviço de Inteligência do exército de Honduras. No momento em que percebeu que estava sendo fotografado passou a registrar este argumentador aqui. Pode faltar discrição para o espião personagem da crise de Honduras, mas alguns setores das Forças Armadas e da polícia Hondurenha recebem treinamento nos Estados Unidos e em Israel.

DIARIO DE HONDURAS - Os espioes


Às vezes, eles andam em dupla.


Ônibus. Antigo. Lotado. Honduras.

El FENOMENO COMERCIAL



No lado real da revolução, vendem-se bonés, faixas, cd's com as músicas da resistência, dvd's com os "melhores momentos" da luta contra o golpe e ate as "papas de la resistência", nome pomposo para uma pacotinho de batatas fritas vendidas na rua mesmo. Exceto as batatas, quase tudo leva o nome de Mel, apelido carinhoso e lucrativo do presidente deposto de Honduras.

02 Outubro 2009

OS ARES DO RIO EM TEGUCIGALPA


Foi muito legal olhar para "El Cristo del Picacho" hoje logo depois que a cidade do Rio foi confirmada como sede dos Jogos Olimpicos de 2016. O daqui existe desde 97. Tem 12 metros de altura por 20 de comprimento. Mas a diferenca maior é que - tadinho - ele nao tem os bracos abertos sobre a Guanabara. Mas, de alguma forma, nos transportou hoje para a festa que vimos pela tv.