No imaginário de milhares de brasileiros, repórteres de emissoras concorrentes vivem uma guerra aberta nos bastidores em busca de algo que os dê vantagem na tal batalha pela notícia. No imaginário popular, esta cena ganha dimensões quase hilárias. De estagiários a gente de fora do meio, sempre me perguntam como isso funciona. Aos que esperam respostas "quentes", sinto desapontá-los. Somos bem mais civilizados do que parecemos. Menos, é claro, no momento de "organizar" pequenas entrevistas coletivas. Coisas da profissão... Mas na maioria absoluta dos casos, os concorrentes até se ajudam. E digo isso com o orgulho de quem bota lenha na fogueira da solidariedade. Óbvio: se tenho uma informação exclusiva ou uma imagem espetacular não vou dividir o resultado do meu esforço com os nobres coleguinhas. É aí que, na minha opinião, termina a linha tênue que divide a concorrência leal da desleal.
O que meus colegas me mostraram ontem, assim que cheguei à redação, me causou um incômodo profundo. Era um dos assuntos do dia. Uma repórter da TV Record, pressionada pelo que o apresentador dizia no estúdio, se submeteu a uma cena da qual ela não deve se orgulhar muito. Ela tentou pressionar uma autoridade que estava posicionada para ser entrevistada pela repórter da Globonews a falar com ela primeiro. De fato, foi um "barraco" e muita gente deve ter se divertido com o que viu. O que mais me incomodou foi a pressão que veio dos estúdios pra que aquela pequena batalha tomasse proporções maiores.
Todos nós repórteres sabemos como a coisa funciona. A repórter que pressionou sabia. O apresentador que reclamou também. Não se trata da briga do bem contra o mal. Trata-se apenas de mais um capítulo em que o bom senso e a boa educação mais uma vez ficaram de fora da telinha.
Pra quem quiser conferir e tirar suas próprias conclusões, segue o link abaixo:












