12 Novembro 2009

O IMAGINÁRIO POPULAR AO VIVO NA TV



No imaginário de milhares de brasileiros, repórteres de emissoras concorrentes vivem uma guerra aberta nos bastidores em busca de algo que os dê vantagem na tal batalha pela notícia. No imaginário popular, esta cena ganha dimensões quase hilárias. De estagiários a gente de fora do meio, sempre me perguntam como isso funciona. Aos que esperam respostas "quentes", sinto desapontá-los. Somos bem mais civilizados do que parecemos. Menos, é claro, no momento de "organizar" pequenas entrevistas coletivas. Coisas da profissão... Mas na maioria absoluta dos casos, os concorrentes até se ajudam. E digo isso com o orgulho de quem bota lenha na fogueira da solidariedade. Óbvio: se tenho uma informação exclusiva ou uma imagem espetacular não vou dividir o resultado do meu esforço com os nobres coleguinhas. É aí que, na minha opinião, termina a linha tênue que divide a concorrência leal da desleal.
O que meus colegas me mostraram ontem, assim que cheguei à redação, me causou um incômodo profundo. Era um dos assuntos do dia. Uma repórter da TV Record, pressionada pelo que o apresentador dizia no estúdio, se submeteu a uma cena da qual ela não deve se orgulhar muito. Ela tentou pressionar uma autoridade que estava posicionada para ser entrevistada pela repórter da Globonews a falar com ela primeiro. De fato, foi um "barraco" e muita gente deve ter se divertido com o que viu. O que mais me incomodou foi a pressão que veio dos estúdios pra que aquela pequena batalha tomasse proporções maiores.
Todos nós repórteres sabemos como a coisa funciona. A repórter que pressionou sabia. O apresentador que reclamou também. Não se trata da briga do bem contra o mal. Trata-se apenas de mais um capítulo em que o bom senso e a boa educação mais uma vez ficaram de fora da telinha.
Pra quem quiser conferir e tirar suas próprias conclusões, segue o link abaixo:


05 Novembro 2009

INSPIRAÇÃO

Há muito o que dizer, mas há pouca inspiração.
Na política, o Aécio fazendo super manobras nos bastidores pra mostrar que é mais viável que Serra.
No futebol, Galo, Palmeiras e São Paulo poderão estar rigorosamente empatados em número de pontos depois da próxima rodada do Brasileirão. O Atlético levaria vantagem no número de vitórias.
Em Minas, José Utsch de Lima - meu pai - lança seu quarto livro. Além do que ele escreve, a história que o cerca já vale um belo texto.
No Afeganistão, a coisa só piora.
Em Berlim, o U2 se apresenta no portão de Brandenburgo pra festejar os vinte anos da queda do muro.
Em São Paulo, estudo inédito mostra que as mulheres que engravidam entre junho e agosto têm quase três vezes mais chance de perderem o filho. É mais um dos efeitos da poluição.
Tanta informação e pouca coragem de escrever. Assunto não falta. O problema é a inspiração que insiste em não bater a campainha.

INFÂNCIA ROUBADA

A adoção é um dos assuntos da semana. Entrou em vigor na segunda-feira a nova lei que tem como principal meta a redução da permanência de crianças e adolescentes em abrigos. O prazo máximo é dois anos. E depois ?! O que fazer com essas crianças ?! Perguntam-se centenas de juízes e promtores Brasil afora. Vejo o assunto com a dor e a indignação de quem conversou muito e viu de perto o drama destes pequenos brasileiros condenados por seus pais e pela ineficácia das autoridades do país onde vivem. Eles deveriam ser prioridade. Infelizmente, não são. Seguem aí mais dois links para as duas últimas reportagens da série exibida pelo SBT Brasil. Uma mostra dois destinos diferentes de quem chegou aos 18 anos entre os muros de um abrigo. Outra aborda um problema sério, silencioso e muito traumático pra quem o protagoniza: a devolução de crianças.


http://noticias.uol.com.br/ultnot/multi/2009/10/31/0402336AE0A96366.jhtm?adocao-justica-condena-casal-que-rejeitou-criancas-em-mg-0402336AE0A96366

29 Outubro 2009

INFÂNCIA ROUBADA - DOIS ANOS DEPOIS


Foi com muito orgulho que retomei um assunto sobre o qual o Brasil ainda te muito a saber. Há dois anos, fizemos uma série de reportagens sobre as crianças que viviam em abrigos no país. Mostramos como é difícil que crianças maiores e com irmãos sejam adotadas e como é complicado crescer dentro de um abrigo, por melhor que ele seja. Agora, pouco mais de dois anos depois, fomos visitar os personagens que conhecemos em 2007 e vimos que, além do descaso de suas próprias famílias, eles também são vítimas da burocracia. A primeira e mais importante conclusão é que estes milhares de pequenos brasileiros não são prioridade, nem para a Justiça, nem para os governantes.
Seguem abaixo os links para a primeira e segunda reportagens, exibidas também no site UOL.




26 Outubro 2009

TERAPIA DO TERRROR



O assunto é indigesto. Muita gente prefere mantê-lo debaixo do tapete da hipocrisia. O colega Eduardo Faustini, do Fantástico, também pensa de maneira diferente. Ontem, numa matéria forte e com bons argumentos, mostrou o esquecido e desconhecido mundo das clínicas e comunidades terapêuticas que usam a tortura como método de tratamento. Um dos focos da reportagem foi a mesma clínica que mostramos em "Terapia do Terror", série de reportagens que fiz no SBT Brasil pra denunciar o problema. O sujeito que foi dono da clínica agora tem o papel de "corretor". Ganha dinheiro por cada pessoa que consegue internar. Corretor de dependente químico é o fim da picada !!! 
Na época, em julho, pessoas ligadas à tal clínica fizeram uma campanha amadora e difamatória contra mim, o SBT e principalmente contra os argumentos que usamos. Tentaram desqualificiar as denúncias, desqualificando o sofrimento das pessoas que passaram por lá. Alguns até defenderam o que chamaram de "terapia de choque contra viciados".
Segue abaixo o link da matéria pra quem quiser ver.



Aqui, o link para a matéria do Fantástico. Boa, Faustini !

http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1354427-15605,00-CLINICAS+CLANDESTINAS+MALTRATAM+DEPENDENTES+QUIMICOS.html

21 Outubro 2009

ONDE O CONCRETO DERRUBA CONCEITOS


Alguns dias de descanso depois da cobertura em Honduras e cá estou eu de volta com os problemas da metrópole. Quantos e quão complexos são !
Logo na chegada, estourou a cassação de um grupo de treze vereadores da cidade, acusados de receber dinheiro de uma "entidade" que não lucra, o que é proibido pela lei eleitoral. Os vereadores já recorreram e, como se esperava, já conseguiram suspender a decisão.
Por trás disso tudo, está uma relação suspeitíssima entre as construtoras e quem deveria zelar por uma cidade tão grande e tão cheia de problemas. Elas - as construtoras - fazem quase tudo que querem, sem a menor cerimônia. Uma das personagens desta história é uma socióloga que mora numa casa da década de 40, no bairro da Lapa, um dos mais tradicionais e charmosos de Sampa. Ana resistiu o quanto pôde. No quarteirão onde mora, só sobrou a casa dela. Plantas, móveis antigos e bem conservados e muita história estão espalhados nos dois andares de um sobrado de esquina que faz sucesso há mais de 50 anos naquele pedaço da Lapa.
Tudo vai ser demolido em menos de um ano. A construtora venceu Ana com dinheiro e muita pressão. A casa cheia de detalhes e cores, as plantas, a calçada... tudo vai deixar de existir. É mais um pedacinho de São Paulo que vai se perder no tempo pra dar lugar a um imenso edifício com dezenas de vagas na garagem, piscina, área de lazer (dentro da área do condomínio e devidamente cercada), sauna, quadra. É tanta coisa que os moradores nem precisam mais do bairro.
Na terra do concreto, tudo isso significa "mais trabalho, mais desenvolvimento !"
É que São Paulo precisa crescer, com a bênção e a proteção dos digníssimos vereadores.

03 Outubro 2009

A ULTIMA NOITE EM TEGUCIGALPA


Nada mal ter uma lua dessas pra dizer adeus a um país sobre o qual aprendi tanto nos últimos dias. Em alguns anos, o cerco à embaixada do Brasil deve virar um capitulo em livros de história da América Latina. De um lado, um senhor exótico de chapéu e bigode, acusado de corrupção. Do outro, um presidente que chegou ao poder com um golpe de Estado, tambem com sede de poder. É uma historia que não dá pra distinguir facilmente quem é o mocinho e quem é o bandido. Mas as vítimas são muitas: quase oito milhões de hondurenhos.

A PRIMAVERA DE HONDURAS


Elas eram oito mulheres. Por algum motivo, mobilizaram uma tropa inteira. Rapidamente, foram retiradas de uma área considerada "de segurança" pelo exército hondurenhos.

DIARIO DE HONDURAS


Na sombra da ditadura.

EL FENOMENO COMERCIAL


Pra reforçar os argumentos de uma postagem anterior. Manuel Zelaya, "Mel" para milhões de íntimos hondurenhos, ja é comparado a Che Guevara. Os dois fazem dupla em citações de faixas vermelhas, em capas de CD´s e DVD´s da resistência e no imaginário de alguns desavisados.

DIARIO DE HONDURAS - O espiao


Ele registra todos os detalhes que possam representar alguma chance de informação para o serviço de Inteligência do exército de Honduras. No momento em que percebeu que estava sendo fotografado passou a registrar este argumentador aqui. Pode faltar discrição para o espião personagem da crise de Honduras, mas alguns setores das Forças Armadas e da polícia Hondurenha recebem treinamento nos Estados Unidos e em Israel.

DIARIO DE HONDURAS - Os espioes


Às vezes, eles andam em dupla.


Ônibus. Antigo. Lotado. Honduras.

El FENOMENO COMERCIAL



No lado real da revolução, vendem-se bonés, faixas, cd's com as músicas da resistência, dvd's com os "melhores momentos" da luta contra o golpe e ate as "papas de la resistência", nome pomposo para uma pacotinho de batatas fritas vendidas na rua mesmo. Exceto as batatas, quase tudo leva o nome de Mel, apelido carinhoso e lucrativo do presidente deposto de Honduras.

02 Outubro 2009

OS ARES DO RIO EM TEGUCIGALPA


Foi muito legal olhar para "El Cristo del Picacho" hoje logo depois que a cidade do Rio foi confirmada como sede dos Jogos Olimpicos de 2016. O daqui existe desde 97. Tem 12 metros de altura por 20 de comprimento. Mas a diferenca maior é que - tadinho - ele nao tem os bracos abertos sobre a Guanabara. Mas, de alguma forma, nos transportou hoje para a festa que vimos pela tv.

30 Setembro 2009

DIÁRIO DE HONDURAS




Três horas depois da confusão, meus olhos ainda ardem muito. Foi um dia em que conheci de perto um dos lados mais covardes e assustadores de um país em estado de sitio.


A manifestação era em frente à rádio Globo, fechada há dois dias sob a acusação de incitar a violência no país. Havia pouco mais de duzentas pessoas, todos desobedientes. É que o decreto assinado no domingo pelo governo Michelleti proíbe a livre expressão de pensamento e a reuniao de mais de vinte pessoas em espaços públicos.
O primeiro pedido da polícia foi pra que eles liberassem uma das pistas. Pedido atendido.
O segundo pedido foi pra que eles saíssem de onde estavam. Pedido atendido.
Óbvio que eles saíram em bloco e aquela reunião de gente resultou em mais uma manifestação em movimento.
A polícia foi pra cima, jogou bombas de gás e bateu em quem viu pela frente. Sobrou ate para uma senhora que passava desavisada pela rua.


Bombas de gás lacrimogênio foram lançadas bem perto de mim. Por varios minutos, fiquei sem enxergar nada e com a garganta ardendo muito. O cinegrafista Ailton Silva usava uma máscara e se livrou do gás na garganta. Nos olhos não. Efeito também sentido por muitos policiais que não tinham o equipamento de segurança completo.

Analisando a cena agora, de cabeça fria, fica claro que o gás foi desnecessário, como foram desnecessários os empurrões da polícia e o golpe que levei nas costas, longe das câmeras. Isso porque eu e outros colegas jornalistas seguimos a policia com um dos manifestantes presos. O objetivo deles era isolar o espanhol que haviam detido. O nosso era nao tirar o olho do que se passava no meio da rodinha de policiais. A impressão que tenho é que a nossa pressão fez com que a pressão policial não resultasse em algo mais grave. As cenas, que causaram até gargalhadas em alguns colegas no Brasil, aqui nao tiveram graça nenhuma.


Por alguns momentos, a disputa nao era Michelleti contra Zelaya, mas câmeras e microfones contra escudos e cacetetes. E olha que eles - claramente - tem um pouco de receio da repercussão do que fazem na imprensa internacional. Imagino como são as coisas quando só os colegas hondurenhos estão pela frente.


29 Setembro 2009

DO OUTRO LADO DA LINHA, O PRESIDENTE


Uma voz cansada e, por vezes, confusa respondeu a todas as perguntas que fiz numa conversa de pouco mais de dez minutos. O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, garante que nao houve participação do governo brasileiro na operacao que o trouxe ate Tegucigalpa e que culminou numa crise diplomática em que o Brasil é personagem de destaque. A impressão que tive é que os recados do presidente Lula pra que ele se contivesse um pouco fizeram efeito. Por outro lado, disse que calado também não fica. "Nao pode ser de outra maneira. Eu estar aqui sem poder me comunicar com outras pessoas, nao haveria possibilidade de êxito", disse. De Obama a Lula, passando pelos lideres da Uniao Européia, ONU e OEA, ele tem o apoio do mundo quase todo. E não é um apoio às práticas dele, mas uma condenação a um golpe do qual ele e Honduras foram vítimas. Zelaya está longe de ser um exemplo como chefe de Estado, mas politicamente foi vitimizado. virou uma espécie de defensor dos pobres e oprimidos mais fora do que dentro do próprio país. O filme que vejo aqui tem ônibus antigos, personagens de chapéu e bigode, o exército que tira o presidente do Palácio com o argumento de uma arma.
Honduras 2009. O passado é aqui.

28 Setembro 2009

DIARIO DA CENSURA


Homem protesta contra o estado de sitio decretado em Honduras pelo atual presidente Roberto Michelleti.

DIARIO DE HONDURAS


Manifestante pro-Zelaya protesta contra a restricao aos direitos individuais.

"VENHO COM MEUS DOCUMENTOS PRA MOSTRAR QUEM EU SOU"


Professora pro-Zelaya participa do protesto em frente a Universidade Pedagogica de Tegucigalpa.